O morto passou em cortejo

 

XXIII

O morto passou em cortejo
— conclusão com bandeira
e burburinho de rosas
nos andores...

(Mas a morte não é isto.
E o que sobra das flores.)


XXXVIII


Crime perfeito.

Desafio a que descubram
o cadáver
e o assassino.

(Sou eu o criminoso e o morto
que ressuscito
quando a polícia me vê rir nos olhos
as pegadas de denúncia
do meu grito.)

Autor: José Gomes Ferreira (1900-1985)
Editado por: nicoladavid

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