"Soneto"

Pôs-se o Sol; como já na sombra feia

Do dia a pouco e pouco a luz desmaia!
E a parda mão da noite, antes que cala,
De grossas nuvens todo o ar semeia.

 

Apenas já diviso a minha aldeia;

Já do cipreste não distingo a faia.
Tudo em silêncio está. Só lá na praia
Se ouvem quebrar as ondas pela areia.

 

Co' a mão na face a vista ao céu levanto
E, cheio de mortal melancolia,

Nos tristes olhos mal sustenho o pranto;

 

E se inda algum alívio ter podia,
Era ver esta noite durar tanto!

Que nunca mais amanhecesse o dia.

 

 

Autor: João Xavier de Matos (1730/35- 1789)
Editado por: nicoladavid

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