Renúncia

 
 

Levei a tapa do Prazer, sequioso,
Aos meus lábios febris... E não bebi
Esse veneno impuro e saboroso,
Ó minha pomba, por amor de ti!

Quando nos lábios trémulos senti
O refrigério desse imundo gozo,
Cheio de sede, por amor de ti,
Quebrei a taça do Prazer ditoso!

É por amor de ti que os olhos choram
E os rouxinóis da balsa que decoram
Cantos que solta a minha eterna mágoa!

Quando soluço a procurar-te a cova,
Os meus olhos sem luz, que a Dor encova
É por amor de ti que se enchem d'agua!.


Autor: João Saraiva (1866-1948)
Editado por: nicoladavid

 
 
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