Quando o sonho termina

 

Quando o sonho termina, entre as névoas do monte,
Desponta o sol e tinge as cumiadas de oiro…
O Mar levanta ao céo a revoltada fronte!
E contra essa trincheira imensa do horizonte
Arremete, a arquejar, furioso como um toiro.

E ai daqueles que vão num miserável barco,
Para arrancar ao monstro um pedaço de pão!
A riquesa do Mar dá um sustento parco…
Some-se a terra ao longe, o céo curva-se em arco
E quantas vezes fórma a tampa dum caixão!...

Ai daqueles que vão num desespero infindo
Dar batalha á tormenta e deixam triste o lar!...
Traidora, a Morte pula em torno ao barco, rindo...
Emquanto fica ao longe o pobre lar, pedindo
Por aqueles que vão sobre as águas do Mar!...

Autor: João Saraiva (1866-1948)
Editado por: nicoladavid

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