Pintura



Tem de celeste o olhar azul; e a cor
Do seu cabelo foi roubada ao milho...
Nele verteu a essência do tomilho
E o lábio ungiu dum sensual ardor.

0 brilho desse olhar é como o brilho
Dum lago ao Sol; e a refulgir d'amor
Mostra ao perdido que sucumbe à Dor,
Neste deserto, um luminoso trilho.

O aroma fresco do morango exala
A boca rósea, que em delícias fala
Como nenhuma me falou jamais…

E as suas mãos, em belos sonhos, pinto-as
De rosa e neve: e, despertando, sinto-as
Fechar-me os olhos, para sonhar mais...

Autor: João Saraiva (1866-1948)
Editado por: nicoladavid

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