O Mar

 

Dorme tranquilo o Mar no seu leito profundo!
R no silêncio etéreo e calmo da amplidão,
Como a Noite desprende as asas sobre o Mundo,
Semeia os astros Deus por sua própria mão!


O espirito do Poeta — ave estranha e sombria
Que paira sobre a onda e murmura entre os astros —
Voa na doce luz das ilusões que cria,
Vendo as sombras na Terra a caminhar de rastros…

Riqueza, Gloria, Amor — fantasiosos sonhos
Que uma ilusão nos leva e outra ilusão nos trás —
Tudo resurge e brilha em castelos risonhos
Na penumbra do céo que a luz do sol desfaz!

E o espirito do Poeta, ao invocar as máguas,
Quer senti-las até, beija-las e esquece-las...
E deixa-se dormir sobre o leito das águas
Porque esse leito azul tem um docél d'estrelas!

Autor: João Saraiva (1866-1948)
Editado por: nicoladavid

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