Núpcias

 

O Amor ouvira essa fervente prece
Que tanta vez se modulara ansiosa...
Ei-la chegada a santa paz ditosa
Que dura pouco e nunca mais se esquece

Da branda lamparina à luz receiosa,
No velador de mármore parece
Que a flôr da laranjeira desfalece
E que se tinge d'uma côr de rosa...

E o venturoso, estremecido noivo
Pensa beijar um desfolhado goivo
Que amara outróra dum amor sagrado!

Ela sucumbe ao delirado esposo,
E trémula d'amor, ébria de gôzo,
Lembra também o seu primeiro amado!

Autor: João Saraiva (1866-1948)
Editado por: nicoladavid

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