"Mors Sancta"


Na humilde cela, onde em perfume casto

O luar esbate, merencório e brando,

Vai-lhe fugir o espírito, beijando

A negra cruz do seu rosário gasto...

 

Como num sonho tumular, nefasto,

Corvos que passam pela noite, em bando,

Trazem-lhe a morte lívida, cortando

O fundo azul silencioso e vasto...

 

Em prata líquida o luar escorre

Pelo fio das trémulas espadas

Que esgrime ao vento o canavial do rio...

 

E, quando o brilho das estrelas morre,

O monge cerra as pálpebras molhadas,

Levando aos lábios o rosário frio...

 
Autor: João Saraiva (1866-1948)

Editado por: nicoladavid



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