Manhã

 

O Sol espalha umas arestas quentes
D'oiro de lei; e na floresta verde
Um feixe luminoso, que se perde,
Desperta, acorda os líricos dormentes.

 

Palpitam asas e tilintam cantos!
Há gargalhadas frescas e indiscretas
Na multidão dos cálidos poetas,
E bicadas depois... Se elles são tantos!...

 

Na rendilhada púrpura dos céus,
Dado o sinal, a Natureza se ergue
Gentil, madrugadora, religiosa...

 

O camponês afasta-se do albergue...
Eu termino estes versos, que são teus
E só tu não madrugas,—preguiçosa!


Autor: João Saraiva (1866-1948)
Editado por: nicoladavid

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