Crepuscular



Vejo passar, à tarde, se caminho
No monte, erguendo-me aos penhascos duros,
Duas pombas que vão, brancas d'arminho,
Poisar de manso nos trigais maduros...

Ardem restos do dia no poente,
E o sol do estio, ensanguentado, tomba...
Colho uma flor silvestre e, docemente,
Eu penso em ti, meu coração de pomba!

E, quando a flor colocas de mansinho
Das tranças fartas no aloirado abrigo,
As tuas brancas mãos, puras, d'arminho,
Lembram-me as pombas a poisar no trigo…

Autor: João Saraiva (1866-1948)
Editado por: nicoladavid

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