Ébrio

 
 

Logo que entrava na taberna, e quando

lhe punham vinho em frente sobre a mesa,

o seu olhar de mágoa e de incerteza

era no chão que se ia concentrando.

 

Alguém, que um dia o esteve contemplando,

pôde contar à multidão surpresa

que ele cravava os olhos de tristeza

sobre um retrato de mulher, chorando.

 

A multidão dos magros bebedores

ouvia aquela narração de amores,

indiferente e estúpida, sorrindo…

 

E o desgraçado a um canto, embriagado,

fitava os olhos no retrato amado

fitava os olhos e beijava-o, rindo…


Autor: João Saraiva (1866-1948)
Editado por: nicoladavid

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