Abstracta

 

No lago azul, onde outro azul se espêlha,
Bóia uma pétala de flor vermelha...

(Há nas margens roseiras opulentas
Que se desfolham sôbre as águas, lentas.)

No lago azul, a folha vai boiando,
Talvez supondo que inda está cheirando…

E vão com ela, de pupilas quietas,
Dois olhos doces como violetas !

— São os olhos da minha bem amada,
Que estão abertos e não vêem nada!.


Autor: João Saraiva (1866-1948)
Editado por: nicoladavid

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