A estátua e o Sino

 

Uma estátua de Herói ergue-se além na praça…
Contempla-a, envaidecida, a multidão que passa!

Mas a estátua do Herói, num pedestal de glória,
Fixa no vácuo azul a pupila ilusória
E afronta a multidão no seu gesto imortal!

 

— Bronze, que dizes tu?
 

Firme no pedestal,
Solene, a estátua diz: «Amei a Liberdade...
O Homem só é Deus -.. Ergue-te, Humanidade!»

 

Dobra um sino na Torre… A Egreja comemora
Um Santo que viveu numa perpétua aurora!
— Bronze, que dizes tu?

 

« — Ajoelha, homem que passa!
Um homem, como tu, foi santo…»

E, então, na praça
Dessa estátua sublime a ilusória pupila
Parece que, fitando o sino, inda fuzila!


Homem! que dizes tu? Vaidades loucas só!
A estátua é bronze, o sino é bronze…E tu és pó!

 

Autor: João Saraiva (1866-1948)
Editado por: nicoladavid

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