Filha das tristes ervas

 

- Filha das tristes ervas, nus os pés,

Andrajosa, mas bela de semblante,

Seduziu-me um devasso, um falso amante.

E nada tinha que perder aos dez.

Fui atriz e cantora de cafés,

Mas mudava, indecisa, a cada instante.

Depois, fui o que sou: mundana ovante,

Com trem montado, alto estadão, librés.

Mas tu que eras um anjo, um serafim!

És pois, de quem te queira! Que piedade!

E por quanto te dás? – por um sequim.

-por um sequim em plena mocidade!

De dia e noite uma tarefa assim!

Tu rebaixas a nossa dignidade!

 

Autor: João Penha (1839-1919)
Editado por: nicoladavid

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