Mãe e Filho

Primícias do meu amor!

Meu filhinho do meu seio

Tenro fruto que à luz veio

Como à luz da aurora a flor!

 

Na tua face inocente,

De teu pai a face beijo,

E em teus olhos, filho, vejo

Como Deus é providente;

 

Via em lâmina dourada

O meu rosto todo o dia,

E a minha alma não havia

De a ver nunca retratada?

 

Quando o pai me unia à face

E em seus braços me apertava,

Pomba ou anjo nos faltava

Que ambos juntos abraçasse!

 

Felizmente Deus que o centro

Vê da Terra e vê do abismo,

Que bem sabe no que eu cismo,

Na minha alma um altar viu dentro:

 

Mas com lâmpada sem brilho,

Sem o deus a que era feito...

Bafeja-me um dia o peito,

E eis feito o meu gosto, filho!

 

Como em lágrimas se espalma

Dor íntima e se esvaece

De alma o resto quem pudesse

Vazar todo na tua alma!

 

Mas em ti minha alma habita!

Mas teu riso a vida furta...

Mas que importa! (morte curta!)

Se um teu beijo ressuscita!

 

Autor: João de Deus (1830-1896)
Editado por: nicoladavid


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