"Adoração"

               
               
Vi o teu rosto lindo,           
                Esse rosto sem par;
Contemplei-o de longe mudo e queda,
Como quem volta de áspero degredo
               
E vê ao ar subindo
               
O fumo do seu lar!

 

Vi esse olhar tocante,

De um fluido sem igual;

 

Suave como lâmpada sagrada,
Bem-vindo como a luz da madrugada
Que rompe ao navegante

Depois do temporal!

 

Vi esse corpo de ave,
Que parece que vai

Levado como o' sol ou como a lua
Sem encontrar beleza igual à sua;

Majestoso e suave,

Que surpreende e atrai!

 

Atrai, e não me atrevo
A contemplá-lo bem;

Porque espalha o teu rosto uma luz santa,
Uma luz que me prende e que me encanta

    Naquele santo enlevo

De um filho em sua mãe!

Tremo, apenas pressinto
A tua aparição; .

E se me aproximasse mais, bastava
Pôr os olhos nos teus, ajoelhava!

Não é amor que eu sinto,

E uma adoração!

   Que as asas providentes
   Do anjo tutelar

Te abriguem sempre à sua sombra pura!
A mim basta-me só esta ventura

   De ver que me consentes

   Olhar de longe ... olhar!

 

 

Autor: João de Deus (1830-1896)
Editado por: nicoladavid

Não esqueça ligar o som.

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