"Nenhuma morte apagará os beijos"


Nenhuma morte apagará os beijos e por dentro das casas onde nos amámos ou pelas ruas clandestinas da grande cidade livre estarão sempre vivos os sinais de um grande amor, esses densos sinais do amor e da morte com que se vive a vida. 

Ai estarão de novo as nossas mãos.

E nenhuma dor será possível onde nos beijamos.

Eternamente apaixonados, meu amor. Eternamente livres.

Prolongaremos em todos os dedos os nossos gestos e, rofundamente, no peito dos amantes, a nossa alma liquida e atormentada

desvendará em cada minuto o seu segredo para que este amor se prolongue e noutras bocas ardam violentos de paixão os nossos beijos

e os corpos se abracem mais e se confundam mutuamente violando-se, violentando a noite para que outro dia, afinal, seja possível.

 

Autor: Joaquim Pessoa
Editado por: nicoladavid



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