"De onde me chegam estas palavras?"


De onde me chegam estas palavras?

 

Nunca houve palavras para gritar a tua ausência.

 

Apenas o coração

pulsando a solidão antes de ti

quando o teu rosto doía no meu rosto e eu descobri as minhas mãos

sem as tuas

e os teus olhos não eram mais que o lugar escondido onde a primavera

refaz o seu vestido de corolas.

 

E não havia um nome para a tua ausência.

 

Mas tu vieste.

 

De coração da noite?

Dos braços da manhã?

Dos bosques do outono?

 

Tu vieste.

 

E acordas todas as horas.

Preenches todos os minutos.

Acendes todas as fogueiras.

Escreves todas as palavras.

 

Em canto de alegria desprende-se dos meus dedos

Quando toco o teu corpo e habito em ti

E a noite não existe

Porque as nossas bocas acendem na madrugada

Uma aurora de beijos.

 

Oh, meu amor,

Doem-se os braços de te abraçar,

Trago as mãos acesas,

A boca desfeita

E a solidão acorda em mim um grito de silêncio quando

O medo de perder-te é um cordel que pisa os meus cabelos

E se perde depois numa estrada deserta por onde

Caminhas nua

Como se estivesses triste.


Autor: Joaquim Pessoa
Editado por: nicoladavid 


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