"As casas"


Oh as casas as casas as casas suspirou Ruy Belo.

Quando olhamos para as casas alguma coisa estremece

alguma coisa chama alguma coisa espera.

Olho-te com os olhos das casas respiro-te ao abrir cada janela

e atravesso as portas como se penetrasse o teu corpo

angustiado e nu conquistando o interior da casa o ventre do teu ventre soltando meu grito quando o coração em vértice desce para as mesas e um fino pó se ouve cair das lâmpadas.

Dentro da casa agitam-se as bandeiras do ar quando os teus passos se moldam ao silêncio e tudo é escuro espesso e escuro e nada se passa no meu peito nada em festa corre para as tuas mãos.

Se nos olhamos nos olhos para as casas porque as casas têm um sol bancos de jardim e lâmpadas que se acendem apenas com beijos.


Autor: Joaquim Pessoa (1948)

Editado por: nicoladavid



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