Ao Nuno Júdice


O poema acabado é uma insónia

uma tribo de verbos uma crina

que se estende no cheiro desta amónia

e queima em cada verso uma narina

 

do poeta metido entre o desgosto

que as palavras trazem todas na algibeira.

Difícil é tapar o próprio rosto

sem meter os dedos na fogueira

 

acesa pela harpa dos sentidos

esticados como um leque de varetas

que tornam os poemas pervertidos

e fazem a loucura dos poetas.

 

Autor: Joaquim Pessoa
Editado por: nicoladavid



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