Senhor, eu vejo



Com alguns pregos
trêmulos e um madeiro
pesado de angústias
e remorsos futuros
feriram-te, Cristo.
Hoje, Senhor, eu vejo.

Todo o peso do inferno
e a humana culpa
sobre ti desabaram
na extrema hora
da amarga colheita,
(mas de plena vitória
sobre os braços da morte.)
Hoje, Senhor, eu vejo.

E eu lá estava, Jesus,
nessa carga de fel
e de agudo silêncio.
Teus olhos em sangue
sobre mim pousaram.
As gotas da fronte
apagaram abismos
de minhas trevas.
Hoje, Senhor, eu vejo.

Vera vida brotou
De tua morte, Cristo.
E as colunas da noite
mergulhadas em pânico
gotejaram seu medo.

Mesmo os céus rasgaram
As cortinas do azul.
Em teu corpo moído,
as mágoas e as dores
deste mundo insano,
deste mundo em pântanos,
deste mundo infame.
Hoje, Senhor, eu vejo.

Autor: Joanyr de Oliveira (1933-2009)
Editado por: nicoladavid

Comments