"O Soneto"



Ó f!orentino túmulo de prata!

O sepultura de catorze versos!
Demais viveu em ti, aprisionada,

A asa vibrátil do meu pensamento!

Demais sofri a dura disciplina

Do teu chicote de catorze pontas,
Soneto arcaico, inquisidor vermelho
Que Petrarca há seis séculos gerou!

Ó taça antiga de catorze gomos,
Taça de oiro de Guido Cavalcanti,
Bebi por ti, mas atirei-te ao mar!

Não se ouvem mais os címbalos da rima!
Asa liberta, voa em liberdade!

Jaula de "bronze, estás aberta, enfim!

 

 

Autor: Júlio Dantas (1876-1962)
Editado por: nicoladavid

 

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