A uma trança de cabelos negros

 
 

Diversa em cor, igual em bizarria

Sois, bela trança, ao lustre de Sofala,

Luto por negra, por vistosa gala,

Nas cores noite, na beleza dia.

 

Negra, porém de amor na monarquia

Reinais senhora, não servis vassala;

Sombra, mas toda a luz não vos iguala;

Tristeza, mas venceis toda a alegria.

 

Tudo sois, mas eu tenho resoluto

Que sois só na aparência enganadora

Negra, noite, tristeza, sombra, luto.

 

Porém na essência, ó doce matadora,

Quem não dirá que sois, e não diz muito,

Dia, gala, alegria, luz, senhora?

 

Autor: Jerónimo Baía (1620/30-1688)
Editado por: nicoladavid

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