Anelo

 

Só aos sábios o reveles

Pois o vulgo zomba logo:

Quero louvar o vivente

Que aspira à morte no fogo

Na noite – em que te geraram,

Em que geraste – sentiste,

Se calma a luz que alumiava,

Um desconforto bem triste.

Não sofres ficar nas trevas

Onde a sombra se condensa.

E te fascina o desejo

De comunhão mais intensa.

Não te detêm as distâncias,

Ó mariposa! E nas tardes,

Ávida de luz e chama,

Voa para a luz em que ardes.

"Morre e transmuta-te": enquanto

Não cumpres esse destino,

És sobre a terra sombria

Qual sombrio peregrino.

Como vem da cana o sumo

Que os paladares adoça,

Flua assim da minha pena,

Flua o amor o quanto possa.

 

Autor: Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Editado por: nicoladavid

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