"Chuvoso maio!"


Deste lado oiço gotejar 
sobre as pedras. 
Som da cidade ... 
Do outro via a chuva no ar. 
Perpendicular, fina, 
Tomava cor, 
distinguia-se 
contra o fundo das trepadeiras 
do jardim. 
No chão, quando caía, 
abria círculos 
nas pocinhas brilhantes, 
já formadas?
Há lá coisa mais linda 

que este bater de água 
na outra água? 
Um pingo cai 
E forma uma rosa... 
um movimento circular, 
que se espraia. 
Vem outro pingo 
E nasce outra rosa... 
e sempre assim! 


Os nossos olhos desconsolados, 
sem alegria nem tristeza, 
tranquilamente 
vão vendo formar-se as rosas, 
brilhar 
e mover-se a água... 

 

Autor: Irene Lisboa (1892-1958)
Editado por: nicoladavid



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