"Ao mundo esconde o Sol"

Ao mundo esconde o Sol seus resplendores
E a mão da noite embrulha os horizontes;
Não cantam aves, não murmuram fontes,
Não fala Pã na boca dos pastores,

Atam as ninfas, em lugar de flores,
Mortais ciprestes sobre as tristes frontes;
Erram, chorando, nos desertos montes,
Sem arcos, sem alijavas, os Amores.

Vénus, Palas e as filhas da Memória,
Deixando os grandes templos esquecidos,
Não se lembram de altares nem de glória.

Andam os elementos confundidos:
Ah, Jónia, dia de vitória
Sempre o mais triste foi para os vencidos!

Autor:  
Inácio José de Alvarenga Peixoto (1743-1792) 
Editado por: nicoladavid
 
 
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