Eu sei um hino gigante e estranho

 

Eu sei um hino gigante e estranho
que anuncia na noite da alma uma aurora,
e estas páginas são desse hino
cadências que o ar dilata nas sombras.

Eu quisera escrevê-lo, do homem
domando o rebelde, mesquinho idioma,
com palavras que fossem a um tempo
suspiros e risos, cores e notas.

Mas vão é lutar; que não há cifra
capaz de encerrá-lo, e apenas, oh formosa!,
se, tomando em minhas mãos as tuas,
pudesse, ao ouvido, cantar-te-o a sós.

 

Autor: Gustavo Adolfo Bécquer (1836-1870)
Editado por: nicoladavid

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