"Na doçura da nova estação"


Na doçura da nova estação

renascem as folhas nos bosques e os pássaros

cantam, cada um em seu latim

segundo a melodia do novo canto:

assim, está certo que cada um se dedique

àquilo que mais deseja.

 

 

Do lugar que mais me agrada

não me chega mensageiro nem mensagem

e por isso o meu coração não dorme nem ri

e eu não ouso avançar

enquanto não estiver seguro do fim (pacto),

se é assim como eu quero.

 

 

O nosso amor é assim

como o ramo do espinheiro alvar

que se ergue, imóvel, na árvore

de noite, à chuva e ao gelo

até ao dia seguinte, quando o sol brilha,

através da verde folhagem, no raminho.

 

 

Ainda me lembro de uma manhã

quando pusemos fim à nossa guerra (com um pacto)

e que (ela) me fez um dom tão grande:

o seu amor e um anel.

Que Deus ainda me deixe viver tanto

que possa pôr as mãos sob o seu manto!

 

 

Eu não faço caso do latim hostil

dos que tentam separar-me do meu Bom Vizinho

porque eu sei quanto valem as palavras

quando se recita uma breve fórmula:

alguns vão-se vangloriando do amor,

e nós temos (do amor) o pedaço e a faca.

 

 

Autor: Guilherme IX de Poitiers (Séc. IX)
Editado por : nicoladavid


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