"Elegia"

A alegria da vida, essa alegria d'oiro
A pouco e pouco em mim vai-se extinguindo, vai...
                Melros alegres de bico loiro,
                Ó melros negros, cantai, cantai!

Ando lívido, arrasto o pobre corpo exangue,
Que era feito da luz das claras madrugadas...
                Rosas vermelhas da cor do sangue,
                Rosas abri-vos às gargalhadas!

Limpidez virginal, graça d'Anacreonte,
Mimo, frescura, força, onde é que estais?... não sei!...
                Ó águas vivas, águas do monte,
                Ó águas puras, correi, correi!

Eu sinto-me prostrado em lânguido desmaio,
E a minha fronte verga exausta para o chão...
                Cedros altivos, sem medo ao raio,
                Cedros erguei-vos pela amplidão!


Autor: Guerra Junqueiro (1850.1923)
Editado por: nicoladavid 
 

 

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