Pensas tu, bela Anarda

 

Pensas tu, bela Anarda, que os poetas

Vivem d'ar, de perfumes, d'ambrosia?

Que vagando por mares d'harmonia

São melhores que as próprias borboletas?

 

Não creias que eles sejam tão patetas.

Isso é bom, muito bom mas em poesia,

São contos com que a velha o sono cria

No menino que engorda a comer petas!

 

Talvez mesmo que algum desses brejeiros

Te diga que assim é, que os dessa gente

Não são lá dos heróis mais verdadeiros.

 

Eu que sou pecador, — que indiferente

Não me julgo ao que toca aos meus parceiros,

Julgo um beijo sem fim cousa excelente.

Autor: Gonçalves Dias (1823-1864)
Editado por: nicoladavid

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