Ecos Duma Homenagem

 

O tal palácio de soberba entrada,

Por dentro escuridão, desde os umbrais,

Eis o que sou, eis o que valho... Nada!

Vós, meus amigos, é que me endeusais.

 

Desfiro, é certo, a pena em vez da espada,

E tenho escrito versos nos jornais,

E autor de livros (d’arte maltratada),

Ninguém os compra, lê... Se são banais...

 

Mas tenho, sei que tenho, uma virtude:

Vivi os meus poemas longo e rude;

Se os escrevi, por vezes, a chorar...

 

Se a dor nos purifica – sou poeta!

Sou esse Dom Quixote d’alma inquieta

Que fez, e faz, do choro o seu cantar!

Autor: Gentil Valadares (1916-2006) - in Glória de Mandar 
Editado por: nicoladavid

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