A Baía Dos Lagos

 

À tarde, quando o Sol, pintor de génio,

Fecha o seu leque d'oiro na Naía,

Tornando-a no fantástico proscénio

Qua a todos nós encanta e extasia;

À tarde, quando a massa de oxigénio

Volatiza a cor em fantasia,

E uma fracção da hora vale milénio,

Yal a beleza, o sonho, a poesia;

À tarde é que as traineiras vão ao mar,

Os hélices atrás, ron-ron, levando-as

Ao ritmo das ondas a espumar...

Telas maravilhosas!... Eu, olhando-as,

Margulho noutro mundo o meu pensar,

No fundo da minh'alma retratando-as.

 

Autor: Gentil Valadares (1916-2006) - in: Algarve Limiar do Paraíso
Editado por: nicoladavid

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