Segundo Soneto Da Morte

 

Este longo cansaço irá ser grande um dia

e a alma dirá ao corpo que não quer

arrastar o seu peso ao longo desta vida

por onde os homens vão, felizes por viver.

 

Sentirás que ao teu lado cavam brutalmente,

que outro hóspede chega à serena cidade.

Vou esperar que alguém me cubra completamente

e depois falaremos uma eternidade!

 

Só então saberás porque é que, ainda imaturo,

para as profundas fossas o teu corpo iria

aí dormir tranquilo, aí permanecer.

 

E então far-se-á luz no campanário escuro:

saberás que entre nós sinais de astros havia

e que, quebrando o pacto, tinhas de morrer.


Autor: Gabriela Mistral (1889-1957)

Editado por: nicoladavid
 
 


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