Cordeirinho Meu

 

Cordeirinho meu,

calada doçura.

Meu peito é uma gruta

de musgo e de felpo.

 

Carnezinha branca,

fatia de lua.

Tudo olvido para

ser morada tua.

 

O muno, que vale?

De mim não percebo

mais que o colo farto

com que te sustento.

 

De mim sei apenas

que em mim te reclinas.

Tua festa, filho,

toda festa exprime.

Autor: Gabriela Mistral (1889-1957)

Editado por: nicoladavid

Comments