Divinas mãos e pés, peito rasgado

 

Divinas mãos e pés, peito rasgado,

Chagas em brandas carnes imprimidas,

Meu Deus, que por salvar almas perdidas,

Por elas quereis ser crucificado:

Outra fé, outro amor, outro cuidado,

Outras dores às vossas são devidas,

Outros corações limpos, outras vidas,

Outro querer no vosso transformado:

Em vós se encerrou toda a piedade,

Ficou no mundo só toda a crueza;

Por isso cada um deu do que tinha:

Claros sinais de amor, ah saudade!

Minha consolação, minha firmeza,

Chagas de meu Senhor, redenção minha.


Autor: Frei Agostinho da Cruz  (1540-1619)
Editado por: nicoladavid
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