Também nós imos já perto da Fonte

 

Também nós imos já perto da Fonte;
E, Em quanto no cantar nos entretemos,
Temo que a vinda cá pouco nos monte.

Dizes bem; melhor é nos desviemos,
Por que nos não divisam nem por sonho,
Que, uma só que nos veja, as não veremos.

E mais, se eu não vou cego, daqui ponho
Que são as que lá assomam na treposta.
De só cuidares isso me envergonho.

Tu não me queres crer? Vá sobre aposta.
Mui bem dizes, daquelas são sem falta;
Passas tu como furão pola posta?

Madanela é de todas a mais alta,
Que aparece vestida de pombinho;
Também Andresa vai: nada nos falta.

O adufe ouço, ouço o pandeirinho;
Vamo-nos por detrás deste valado:
Iremos encontrá-las ao caminho.
Afasta ora estas silvas com o cajado.


Autor: Francisco Rodrigues Lobo (1580-1622)
Editado por: nicoladavid

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