Glória do amor, que breve que feneces!

 

Glória do amor, que breve que feneces!

Pena do amor, que larga te dilatas!

Que largamente um coração maltratas!

Com quanta brevidade desvaneces!

 

Gosto fingido no melhor pereces,

Verdadeiro tormento sempre matas,

Se te concedes, logo te recatas,

Se te apoderas, nunca te enterneces!

 

Pena cruel, que a alma me traspassas!

Glória caduca, que tão pouco aturas!

Quem poderá emendar tantas desgraças!

 

Quem tivera num ser sempre as venturas!

És doce de passar, por isso passas;

És dura de sofrer, por isso duras.

 

Autor: Francisco de Vasconcelos (1665-1723)
Editado por: nicoladavid

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