À morte de F.

 

Esse jasmim, que arminhos desacatam, 
Essa aurora, que nácares avivam, 
Essa fonte, que aljôfares derivam, 
Essa rosa, que púrpuras desatam;

Troca em cinza voraz lustrosa prata, 
Brota em pranto cruel púrpura viva, 
Profana em turvo pez prata nativa, 
Muda em luto infeliz tersa escarlata.

Jasmim na alvura foi, na luz Aurora, 
Fonte na graça, rosa no atributo, 
Essa heróica deidade que em luz repousa.

Porém fora melhor que assim não fora, 
Pois a ser cinza, pranto, barro e luto, 
Nasceu jasmim, aurora, fonte, rosa.


Autor: Francisco de Vasconcelos (1665-1723)
Editado por: nicoladavid

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