Montanha Desabitada

 

Horrendo monte aonde só parece

Que enigmas guarda a imagem do futuro,

Em cujo infausto seio sempre escuro

Nem tronco nem arbusto reverdece;

 

Governa a sombra, a luz desaparece,

Não logram pomo as árvores maduro,

E o bosque triste, cada vez mais duro,

Tanto mais nos invernos se encanece.

 

Tudo assombra a medonha soledade,

Mal respira o enleio, abafa o engano

Que fomenta o verdor da mocidade.

 

Ó sítio de algum Nume soberano!

De cada penha sai uma verdade,

De cada tronco pende um desengano.


Autor: Francisco de Pina Melo (1695-1765)
Editado por: nicoladavid

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