Sob outros céus


Eu sou tal qual o Parnaíba: existe

Dentro em meu ser uma tristeza inata,

Igual, talvez, à que no rio assiste

Ao reflectir as árvores, na mata...

 

O seu destino em retractar consiste,

Porém o rio tudo o que retracta,

De alegre que era, vai tornando triste,

No fluido espelho móvel de ouro e prata...

 

Parece até que o rio tem saudade

Como eu, que também sou desta maneira,

Saudoso e triste em plena mocidade.

 

Dá-se em mim o fenômeno sombrio

Da refracção das árvores da beira

Na superfície trêmula do rio...


Autor: Da Costa e Silva (1885-1950)
Editado por: nicoladavid


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