Solidão

 

Vago aroma de esteva, ao mesmo tempo ardente e virgem, 
E este murmúrio doce da folhagem, 
São o falar do mato, na estiagem, 
Segredando os mistérios da origem. 

Calma profunda, doce, resignada... 
A vida não é mais do que o viver 
Da paisagem nostálgica e pasmada. 

A solidão tem dedos de veludo, 
De frementes afagos delicados. 
— Bendita solidão, que beijas tudo, 
Onde andarão meus sonhos desvairados?!... 

Nestes montados, Que purificação me invade a alma! 
Como entra, em mim, toda a serenidade 
Dos ermitões, orando na paisagem! 

Nesta paisagem, 
Calma, calma, calma, 
Como a Eternidade. 

Autor: Francisco Bugalho (1805-1949)
Editado por: nicoladavid

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