O Comboio Passa

 
O comboio passa...

Todas as manhãs acorda a paisagem,
Faz fugir o gado.

E na casa branca, junto da passagem,
Faz erguer a moça, de olhar estremunhado.

Tem geada o campo,

Num manto brilhante.

As vacas reparam, com olhos de gente.

E uns senhores, lá dentro, com ar indiferente,

Pensam noutras vidas, num mundo distante...

Vêm de longes terras, que a moça, coitada,
Nem sonha que existem, estendendo a bandeira.
E a máquina bruta, estridente, apressada,
Engolfa-se, aos gritos, por entre a barreira,
Onde uma calhandra, de há muito, faz ninho.

Ai de quem encontre, naquele caminho!...

Autor: Francisco Bugalho (1805-1949)
Editado por: nicoladavid

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