Sinto a aragem antiga e os suaves montes

 

Sinto a aragem antiga e os suaves montes
Vejo aparecer onde essa luz nasceu
Que os olhos me alegrou quando o Céu quis,
E hoje mos tem de lágrimas banhados.

Ó caduca esperança! Ó vão cuidado!
Viúva a relva e turvas são as águas,
Vazio, gelado, o ninho em que viveu
E onde eu vivo, e morto repousara,

Esperando alfim daquelas suaves plantas,
Daqueles olhos seus que me abrasaram,
Algum repouso de fadigas tantas.

Mas servi a senhor cruel e escasso;
Quando via o meu fogo, me abrasei:
Agora, vou chorando a cinza esparsa.

 

Autor: Francesco Petrarca (1304 – 1374)
Editado por: nicoladavid

 
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