Só, pensativo, os mais desertos campos

 

Só, pensativo, os mais desertos campos
Vou percorrendo a passo tardo e lento,
Olhos fitos no chão, para fugir
De onde vestígio humano a terra guarde.

Outro abrigo não acho que me furte
Aos olhares indiscretos da outra gente,
Porque no gesto e aspeito descontente
Se vê de fora o fogo em que me abraso.

Tanto, que eu creio já que montes, plagas
E rios e bosques, sabem o segredo
Da minha vida, que aos demais oculto.

Porém, senda tão áspera e bravia
Não sei achar, que Amor não venha sempre
Falar a sós comigo, e eu com ele.

Autor: Francesco Petrarca (1304 – 1374)
Editado por: nicoladavid

Comments