Oh, vai, verso dolente, à pedra dura

 

Oh, vai, verso dolente, à pedra dura 
Que o meu caro tesouro em terra esconde, 
E chama quem do céu inda responde, 
Se bem que o corpo esteja em tumba escura. 

Diz-lhe que vivo exausto de amargura, 
De navegar sem já saber por onde, 
Salvando apenas sua esparsa fronde 
De perder-se na morte que se apura, 

Sempre arrazoando dela, viva e morta, 
Como se viva e já feita imortal, 
Para que o mundo a reconheça e ame. 

E que lhe praza ser quem me conforta 
No instante que se apressa. Venha e, qual 
Está no céu, a si me leve e chame. 

Autor: Francesco Petrarca (1304 – 1374)
Editado por: nicoladavid

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