O rouxinol, que tão suave chora



O rouxinol, que tão suave chora
Os filhos, ou talvez a cara amada,
De doçura enche o Céu e os vastos campos
Com tantas brandas notas moduladas.

E toda a noite faz que me acompanha
E me relembra minha triste sorte:
Que só de mim convém que me lamente
Por crer que em deusas não reinasse a morte.

Que fácil é enganar a quem confia!
Esses dois lumes, mais que o Sol brilhantes,
Quem pensou nunca vê-los terra escura?

Vejo agora que a minha desventura

Quer que eu, vivendo em lágrimas, aprenda

Gamo nada no mundo apraz e dura.

 

Autor: Francesco Petrarca (1304 – 1374)
Editado por: nicoladavid

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