Doce avezinha que te vais cantando

Doce avezinha que te vais cantando
Ou chorando talvez o teu passado,
Vendo a noite chegar e o duro Inverno
E ficar para trás o Verão e o dia,

Se como sabes teus cuidados graves
Souberas minha triste condição,
Virias ao regaço do coitado
Partir com ele as dolorosas queixas.

Eu não sei se a partilha fora igual,
Que essa por quem tu choras vive ainda
E a mim, a morte e o Céu me despojaram.

Mas a estação e a hora menos grata,
Com o relembrar do tempo amaro e doce,
A abrir-te o coração me convidaram.

 

Autor: Francesco Petrarca (1304 – 1374)
Editado por: nicoladavid

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