Alma tão bela desse nó já solta

 

Alma tão bela desse nó já solta 
Que mais belo não sabe urdir natura, 
Tua mente volve à minha vida obscura 
Do céu à minha dor em choro envolta. 

Da falsa suspeição liberta e absolta 
Que outrora te fazia acerba e dura 
A vista em mim pousada, ora segura 
Podes fitar-me, e ouvir-me a ânsia revolta. 

Olha do Sorge a montanhosa fonte 
E verás lá aquele que entre o prado e o rio 
De recordar-te e de desgosto é insonte. 

Onde está teu albergue, onde existiu 
O amor que abandonaste. E o horizonte 
De um mundo que desprezas, torpe e frio.

Autor: Francesco Petrarca (1304 – 1374)
Editado por: nicoladavid

Comments