Ai o rosto fermoso, o suave olhar

 

Ai o rosto fermoso, o suave olhar,
Ai o gracioso, o nobre e altivo porte!
Ai a fala que os duros abrandava,
E ao mais vil dos mortais enobrecia!


E ai, doce riso, donde veio o dardo
De que morte e outro bem não mais espero!
Alma real, digníssima de império,
Se já tão tarde não baixara ao mundo

Por vós convém que eu arda e em vós respire,
Que vosso fui, e hoje, de vós privado,
Nenhuma outra mágoa já me dói.

De esperanças me enchestes e desejos
Quando, em vida, deixei o sumo bem:
Mas o vento levava-lhe as palavras.

Autor: Francesco Petrarca (1304 – 1374)
Editado por: nicoladavid
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