A gula, o sono, as ociosas plumas

 

A gula, o sono, as ociosas plumas
Têm do mundo a virtude escorraçada,
E do justo caminho transviada
Nossa mal costumada natureza.

E é já tão frouxo todo o excelso lume
Do céu, que dá valor à humana vida,
Que é tido como caso novo e estranho
Querer fazer brotar a água de Helicona.

Quem há já que ambicione o loiro e o mirto?
«Pobre e desnuda vais, Filosofia»,
Diz a turba, empenhada em ganho vil.

Poucos te seguirão nessa outra via:
Rogo-te pois, espírito gentil,
Que não desistas de tão alta empresa.

Autor: Francesco Petrarca (1304 – 1374)
Editado por: nicoladavid

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